sábado, 19 de abril de 2014

um pouco de historia

No ano 100 dC o médico grego Areteu (figura) já relatava casos de pessoas com diarréias crônicas características da intolerância ao glúten hoje conhecida como doença celíaca e desde então foram inúmeras as tentativas de se identificar as causas de famigerada diarréia intratável, cólicas e desnutrição que acometiam alguns indivíduos.

Ao longo dos séculos, terapias que nós agora consideramos um tanto estranhas foram usadas na tentativa de curar essas pessoas, como o uso de óleo de rícino e lavagens intestinais. Talvez a única que não nos cause assombro era a recomendação de só ser consumido pão torrado.

Em 1724, Jacopo Bartolomeo Beccari anunciou uma descoberta que posteriormente mudaria a perspectiva de vida de milhões de pessoas até os dias atuais. Ele descobriu uma proteína sem importância nutricional presente no trigo e em várias outras sementes que não é bem digerida por algumas pessoas, o glúten.

Em tempos menos remotos, já por volta de 1880, dois importantes médicos chegaram a prescrever dietas estranhas como o consumo de oito bananas ao dia e o consumo exclusivo de mexilhões (e onde entra a variedade?).

Mas apesar da descoberta do glúten e de alguns médicos já terem notado alguma relação entre o pão e os sintomas típicos de doença celíaca, como urticárias e diarréia, tal fato não era ainda considerado pelos estudiosos da saúde humana e somente em 1953 o médico pediatra holandês Willem-Karel Dicke descobriu, por acaso, uma relação direta entre tais reações do corpo e o consumo de pães.

Desde que se tem conhecimento de registros da doença celíaca e outras variações de sensibilidade ao glúten "não ceíacas", até cerca de cinquenta anos atrás, a incidência da sensibilidade à ingestão de trigo e alguns outros cereais nos quais essa proteína está presente parece ter se mantido estável, porém, desde então tem-se observado um aumento assombroso no número de pessoas afetadas.

Tal período de tempo coincide com o advento das manipulações genéticas das sementes, especialmente as de trigo, cuja concentração de glúten aumentou significativamente nas novas variedades de grãos e  com a intensificação do uso de agrotóxicos como o glifosato (N-fosfonometil-glicina) comercializado com a mraca Roundup.

A doença celíaca é grave e pode provocar a morte. De acordo com o médico e autor norte-americano William Davis, autor da obra "Barriga de Trigo", o tempo médio para uma pessoa descobrir-se celíaca é de aproximadamente onze anos, tempo bastante para que seu organismo sofra danos graves e intensos, por vezes irreparáveis.

Artigo recente publicado pela revista Veja (bem didático, incluindo uma animação ilustrativa) indicava que a cada anos 42.000 crianças morrem no mundo vítimas do glúten e que infelizmente em nosso país não apenas a população desconhece a doença, mas muitos médicos.

Estima-se que um por cento da população seja celíaca, o que no Brasil implica em aproximadamente dois milhões de pessoas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário